Se a saúde é o principal problema do DF, quem vai defendê-la no Congresso Nacional?

A saúde é hoje o principal problema apontado pelos eleitores do Distrito Federal. Pesquisa Quaest divulgada em agosto mostra que 58% dos entrevistados citam a área como a maior preocupação, bem acima de corrupção (14%) e violência (10%). 

O tema também ocupa espaço central na agenda pública do Distrito Federal. Filas, acesso à Atenção Primária, funcionamento dos hospitais, organização da rede e gestão dos serviços estão entre os principais desafios de uma saúde que precisa responder às necessidades da população.

Para Fátima Sousa, candidata a deputada federal pelo PDT-DF, enfrentar os desafios da saúde exige olhar também para o lugar onde decisões fundamentais sobre o SUS são tomadas: o Congresso Nacional. É na esfera federal que se definem o orçamento, as regras de financiamento, as políticas nacionais e os mecanismos de fiscalização dos recursos públicos destinados à saúde.

Por isso, defende Fátima, fortalecer o SUS no Distrito Federal também significa garantir uma representação federal preparada para defender recursos, aprimorar políticas e acompanhar de perto a aplicação do dinheiro público.

“A saúde do DF não termina no limite do território. Ela também é decidida em Brasília. O Congresso define recursos, aprova leis, fiscaliza políticas públicas. Eu quero ocupar esse espaço levando para lá a experiência de quem conhece o SUS por dentro e sabe que cada decisão tomada em Brasília tem consequência na vida de quem está esperando atendimento”, avalia.

O debate não pode terminar no Buriti

As dificuldades enfrentadas pela saúde pública do DF são concretas e aparecem diariamente na vida da população: filas, falta de profissionais, demora para exames e consultas, pressão sobre hospitais e desigualdade no acesso aos serviços.

O debate sobre como enfrentar esses problemas, naturalmente, passa pelo Governo do Distrito Federal. Mas ele não se encerra no Executivo local.

O SUS é uma política nacional, financiada e organizada em diferentes níveis de governo. O Congresso participa da definição das regras e do orçamento federal, acompanha a execução das políticas públicas e exerce a fiscalização sobre a aplicação dos recursos.

É justamente essa dimensão que Fátima pretende colocar no centro de sua candidatura. “É preciso que o eleitor saiba: uma deputada federal pode e deve defender a saúde do seu estado ou do seu território. Não é atribuição de uma deputada administrar um hospital ou uma unidade básica, mas é responsabilidade do Congresso discutir o financiamento, aprovar o orçamento, fiscalizar os recursos e construir políticas que fortaleçam o SUS”, pontua.

Marcelo Camargo/ Agência Brasil

Uma agenda federal para um problema que é local

Para Fátima, ocupar esse espaço significa fazer a ponte entre as necessidades da população e as decisões nacionais que ajudam a determinar a capacidade do SUS de respondê-las.

A candidata defende que o debate federal sobre saúde precisa considerar questões como o financiamento da Atenção Primária, o fortalecimento das redes de cuidado, a formação e valorização dos profissionais, a produção de ciência e tecnologia em saúde e o papel dos hospitais universitários.

O Distrito Federal tem, nesse cenário, uma característica que Fátima considera estratégica: a presença da Universidade de Brasília e do Hospital Universitário de Brasília, instituições que articulam assistência, ensino, pesquisa e inovação.

“Nós temos em Brasília uma universidade pública de excelência e um hospital universitário que é parte importante do SUS. Saúde, ciência e formação profissional precisam caminhar juntas. O Congresso também tem responsabilidade em criar condições para que esse patrimônio público seja fortalecido”, afirma.

Experiência para transformar saúde em agenda de mandato

A proposta de Fátima está diretamente ligada à sua trajetória profissional. Enfermeira sanitarista e professora da Universidade de Brasília, ela foi diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e superintendente do Hospital Universitário de Brasília. Sua trajetória também inclui atuação no Ministério da Saúde na área da Atenção Primária, com participação na construção do Programa de Agentes Comunitários de Saúde e no então Programa Saúde da Família.

Essa experiência permite que a candidata enxergue a saúde pública por diferentes ângulos: a formação dos profissionais, a organização da rede, a gestão hospitalar, a prevenção e as políticas de Saúde Coletiva.

É a partir dessa vivência que ela disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados. “Eu não estou chegando à saúde agora porque estou em uma campanha eleitoral. A saúde é a minha trajetória profissional, acadêmica e de vida. Já estive na formação de profissionais, na gestão e na construção de políticas públicas. Quero agora colocar essa experiência a serviço de um mandato federal.”

foto: Radilson Carlos Gomes

O dinheiro também é decidido em Brasília

Para Fátima, discutir o papel do Congresso na saúde significa falar também sobre dinheiro público. A candidata defende que recursos federais destinados ao SUS sejam acompanhados desde sua previsão no orçamento até sua execução e seus resultados. Mais recurso é importante, mas é igualmente necessário saber onde ele será aplicado, qual problema pretende resolver e se chegou à população.

“Não basta colocar dinheiro no orçamento. Precisamos saber para onde ele vai, o que ele deveria produzir e se produziu. Cada real da saúde tem que chegar onde dói. Fiscalizar recurso público é defender o SUS”, assegura.

Essa atuação, segundo Fátima, deve estar conectada ao planejamento. Em vez de responder apenas às crises depois que elas aparecem, o poder público precisa utilizar informações e evidências para identificar necessidades, antecipar demandas e definir prioridades.

Uma deputada da saúde

A candidata quer ocupar esse espaço com uma atuação especializada, baseada em conhecimento técnico, experiência prática e compromisso com a população que utiliza o SUS.

A proposta de Fátima parte de uma constatação simples: se a saúde é o principal problema do DF, ela precisa estar entre as principais agendas da representação do Distrito Federal no Congresso Nacional.

“O eleitor do Distrito Federal não precisa escolher apenas alguém que diga que a saúde é importante. Precisa escolher quem tenha preparo para trabalhar por ela. Quero ser essa voz no Congresso: levar as necessidades do DF, defender recursos, fiscalizar sua aplicação e ajudar a construir políticas que façam o SUS funcionar melhor.”

Para Fátima, a disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados é, portanto, também uma oportunidade de mudar a forma como a saúde é representada politicamente: menos promessa isolada e mais trabalho sobre orçamento, políticas públicas, planejamento e fiscalização.

Resenha: Priscila Ferreira