Dinheiro público tem dono: cada real da saúde precisa virar cuidado
Candidata a deputada federal pelo PDT-DF, Fátima Sousa defende fiscalização dos recursos do SUS, planejamento e prioridade para aquilo que faz diferença na vida de quem depende da saúde pública
Uma pessoa espera meses por um exame. Outra não consegue uma consulta perto de casa. Uma equipe de saúde trabalha no limite. Em algum lugar, existe um orçamento destinado a enfrentar esses problemas. A pergunta é: esse dinheiro está chegando onde a necessidade está?
É a partir dessa pergunta que Fátima Sousa, candidata a deputada federal pelo PDT-DF, quer levar a discussão sobre dinheiro público para o centro do debate sobre a saúde.
Para a enfermeira sanitarista, não basta ampliar o orçamento do SUS. É preciso acompanhar a aplicação dos recursos, identificar onde estão os maiores problemas e garantir que o investimento produza resultado concreto.
“Dinheiro público tem dono: é o povo. E cada real destinado à saúde precisa chegar onde dói. Precisa virar consulta, exame, prevenção, tratamento, equipe trabalhando. Não pode se perder no caminho”, assegura.
O que o orçamento tem a ver com a fila?
Tudo. Uma fila de saúde não é apenas uma lista de pessoas esperando. Ela pode revelar falta de profissionais, equipamentos insuficientes, serviços concentrados em determinadas regiões ou falhas na organização da rede.
Por isso, na avaliação de Fátima, colocar mais dinheiro na saúde é necessário, mas não suficiente. É preciso saber onde investir e acompanhar o resultado. “Se uma região tem uma demanda maior por determinado exame, precisamos saber disso. Se faltam profissionais, precisamos identificar onde. Se um serviço está sobrecarregado, precisamos entender a causa. O recurso público precisa acompanhar a necessidade real da população”, afirma.
Essa visão está diretamente ligada à experiência de Fátima na Saúde Coletiva. Professora da Universidade de Brasília (UnB), ela foi diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB). Também atuou no Ministério da Saúde na área de Atenção Primária, incluindo sua experiência na gestão do Programa de Agentes Comunitários de Saúde e no então Programa Saúde da Família.
É uma trajetória que, para ela, mostra que orçamento, gestão e cuidado não podem ser tratados como assuntos separados.

Fiscalizar também é fazer saúde
No Congresso Nacional, uma deputada federal não administra diretamente hospitais ou unidades de saúde do Distrito Federal. Mas pode participar das decisões sobre o orçamento federal, propor leis, acompanhar políticas públicas e fiscalizar a aplicação dos recursos.
É nesse espaço que Fátima pretende atuar. “Eu não quero que o recurso público seja tratado apenas como um número no orçamento. Quero saber qual problema ele vai enfrentar e qual resultado vai entregar. Se colocamos dinheiro para ampliar um serviço, precisamos acompanhar se ele foi ampliado. Se investimos na prevenção, precisamos verificar se a população está sendo alcançada”, avalia.
Para a candidata, transparência não é uma etapa burocrática depois que o dinheiro foi gasto. É parte do planejamento. Isso significa acompanhar desde a definição da prioridade até a entrega do serviço, com informações que permitam corrigir o que não estiver funcionando.
Saúde não pode esperar o problema crescer
Fátima também defende que a discussão sobre recursos seja conectada à prevenção. Investir na Atenção Primária, fortalecer equipes que acompanham as famílias e identificar doenças antes que se agravem são medidas que podem melhorar a qualidade do cuidado e, ao mesmo tempo, reduzir a pressão sobre hospitais e serviços especializados.
É a mesma lógica que sustenta sua defesa de que a fila se resolve antes de existir. “Quando conseguimos prevenir uma doença, acompanhar um paciente corretamente e resolver uma necessidade perto de onde ele mora, estamos fazendo duas coisas ao mesmo tempo: cuidando melhor da pessoa e utilizando melhor o dinheiro público.”

Uma deputada da saúde
Para Fátima, sua candidatura nasce justamente da possibilidade de transformar essa experiência acumulada em atuação política. Ela conhece a saúde pela formação, pela pesquisa, pela gestão e pela assistência. Agora, quer levar esse conhecimento para o debate sobre orçamento e políticas públicas no Congresso Nacional.
“Eu já estive na gestão de um hospital. Sei o peso de cada decisão e sei que o recurso precisa chegar na ponta. Agora quero colocar essa experiência a serviço de um mandato federal, para ajudar a construir uma saúde pública que planeja melhor, fiscaliza melhor e cuida melhor.”
O objetivo, segundo Fátima, não é simplesmente prometer mais recursos, mas fazer com que o dinheiro destinado à saúde tenha destino, propósito e resultado. Porque, para ela, cuidar do dinheiro público é também cuidar de quem depende dele.
Texto: Priscila Ferreira
Foto: Radilson Carlos Gomes

