Saúde no DF também se decide no Congresso

Quem precisa de atendimento médico no Distrito Federal conhece bem o desafio: a espera por uma consulta, a demora para conseguir um exame especializado e as madrugadas em busca de atendimento nas emergências. Resolver esses gargalos está entre as principais preocupações de quem vive na capital federal. Mas o caminho para enfrentar esse problema não depende apenas de quem administra os serviços de saúde no DF. Ele também passa pelas decisões tomadas no Congresso Nacional, onde são discutidos o Orçamento da União, o financiamento do SUS, os repasses federais e as leis que estruturam a saúde pública no país.

É com o foco voltado para essa dimensão que Fátima Sousa, candidata a deputada federal pelo PDT-DF, apresenta sua visão para a Câmara dos Deputados. Enfermeira sanitarista, professora da Universidade de Brasília (UnB), ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e ex-superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB), ela defende que uma rede de saúde forte no território precisa estar acompanhada de uma atuação federal capaz de garantir financiamento, planejamento e políticas públicas consistentes.

“Quando a gente fala de saúde no Distrito Federal, o pensamento vai direto para a UBS do território ou para a emergência do hospital. É natural, porque é ali que as pessoas sentem a dor da espera. Mas existe uma dimensão federal que também precisa ser discutida. O DF precisa de uma gestão local eficiente, mas também de representação no Congresso capaz de defender o orçamento do SUS e acompanhar de perto os recursos que chegam à nossa população”, defende.

Como vencer a fila antes que ela chegue ao hospital

Na visão de Fátima, a fila é o resultado visível de problemas que muitas vezes começam muito antes de a pessoa chegar ao hospital. Enfrentar esse gargalo exige fortalecer a Atenção Primária, ampliar a prevenção e garantir acompanhamento contínuo nos territórios.

Quando a UBS funciona com equipe completa, acompanhamento regular e capacidade de responder às necessidades de saúde da comunidade, parte da demanda pode ser cuidada antes de chegar às emergências e aos serviços especializados.

“A fila do hospital é o sintoma de um sistema que precisa ser cuidado na base. A melhor forma de enfrentar a fila é agir antes que ela se forme. Quando fortalecemos as UBS e garantimos acompanhamento contínuo no território, conseguimos prevenir o agravamento das doenças, melhorar o cuidado e reduzir a pressão sobre as emergências. Mas, para isso, precisamos de investimento contínuo e de planejamento”, assegura.

Essa visão aproxima a discussão sobre filas de uma questão que nem sempre aparece no debate eleitoral: o que é preciso fazer antes que a fila exista? Para Fátima, a resposta passa pela Atenção Primária, mas também pelo financiamento federal, pela formação e valorização dos profissionais, pela integração da rede e pela capacidade de planejamento do sistema.

Fátima Sousa e equipe no HUB
Fátima Sousa e equipe no HUB

Uma vida dedicada à saúde pública

A defesa do SUS não é um tema que Fátima incorporou à sua trajetória por causa da eleição. Sua atuação profissional foi construída na Saúde Coletiva, na universidade, na gestão e na formulação de políticas públicas.

Sua experiência inclui a passagem pelo Ministério da Saúde e a atuação na construção de políticas de Atenção Primária. No Distrito Federal, esteve à frente do Hospital Universitário de Brasília e da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB, aproximando assistência, gestão, ensino e pesquisa.

Essa trajetória é a base da visão que ela pretende levar para o Congresso: a saúde pública precisa ser pensada de forma integrada, desde a prevenção e o atendimento no território até as decisões sobre orçamento, financiamento e políticas nacionais.

“Minha trajetória profissional inteira foi construída dentro do SUS: na sala de aula, no hospital, na gestão e na formulação de políticas públicas. A saúde não é uma pauta que apareceu agora na minha vida. É uma área à qual dediquei minha formação e meu trabalho. Levar essa experiência para o Congresso significa defender o SUS também no espaço onde são discutidos o orçamento, as leis e as políticas nacionais de saúde”, afirma.

Votação do Orçamento da União – foto Jeferson Rudy
fonte: Auditoria Cidadã

E a Câmara dos Deputados?

O debate sobre a saúde no Distrito Federal costuma chegar ao Governo do DF porque é ali que muitas das dificuldades aparecem de forma concreta: na UBS, na emergência, na espera por um exame ou procedimento. Mas a escolha dos deputados federais também tem relação com esse debate.

É no Congresso que se discutem o Orçamento da União, as regras nacionais do SUS, o financiamento das políticas públicas e a fiscalização da aplicação dos recursos federais. Para o Distrito Federal, isso significa que a representação na Câmara também pode ser uma frente de defesa dos interesses da saúde pública.

Fátima quer levar essa discussão para o centro do debate sobre a representação federal do DF. “Quando a gente escolhe quem vai para a Câmara dos Deputados, também está escolhendo quem vai participar das decisões que afetam o SUS. A saúde que acontece no território depende, em parte, de decisões tomadas em Brasília. Por isso, precisamos olhar para as duas dimensões: quem vai cuidar da gestão local e quem vai defender a saúde pública no Congresso Nacional.”

É essa segunda pergunta que Fátima coloca em evidência: se a saúde está entre os grandes desafios do Distrito Federal, quem vai defender essa pauta também no Congresso?

Para ela, a resposta passa por levar para a Câmara uma trajetória construída dentro da própria saúde pública, e transformar experiência, conhecimento técnico e compromisso com o SUS em atuação no âmbito federal.