“Brasília foi construída por muitas mãos, e nenhuma delas pode ser esquecida”

No Dia do Candango, Fátima Sousa resgata a memória dos trabalhadores que vieram de diferentes partes do país para erguer a capital e ajudaram a transformar Brasília em uma cidade de todos. Antes dos monumentos, das grandes avenidas e dos cartões-postais, Brasília foi um enorme canteiro de obras. E quem transformou o projeto da nova capital em realidade foram milhares de trabalhadores que chegaram de diferentes partes do país, trazendo consigo a força do trabalho, suas famílias, seus sonhos e suas próprias histórias.

Neste 12 de setembro, Dia do Candango, Fátima Sousa, candidata a deputada federal pelo PDT-DF, lembra essa gente que ajudou a construir Brasília e que, para ela, não pode aparecer apenas como uma nota de rodapé na história da capital.

“Brasília não foi construída apenas com concreto e aço. Foi construída por pessoas. Por homens e mulheres que vieram de longe, deixaram suas famílias e suas cidades e colocaram o trabalho e a esperança dentro de uma cidade que ainda nem existia. Quando a gente olha para Brasília, precisa lembrar também das mãos que fizeram tudo isso acontecer”, afirma.

A relação de Fátima com essa história é também familiar. Em 1959, seu pai veio para o Distrito Federal para trabalhar na construção de Brasília. Morou em um barracão no Cruzeiro Velho, como tantos trabalhadores que chegaram ao território durante a construção da capital. Mas a história dele é apenas uma entre milhares.

Gente que veio de longe para construir uma cidade

A construção de Brasília mobilizou trabalhadores vindos de diferentes regiões do país. Muitos chegaram ao Planalto Central em busca de trabalho e de uma oportunidade de vida. Eram operários, trabalhadores da construção civil e profissionais de diferentes áreas que participaram de uma obra que mudaria não apenas o território, mas também suas próprias histórias. Vieram de longe para construir uma cidade que se tornaria a casa de muitos deles. Essa dimensão humana, para Fátima, é fundamental para compreender Brasília.

“Quando falamos dos candangos, não estamos falando apenas de quem levantou prédios. Estamos falando de pessoas que ajudaram a fundar uma cidade e que trouxeram para cá suas culturas, seus sotaques, suas famílias e seus sonhos. Brasília nasceu dessa mistura. A identidade da nossa cidade também foi construída por essas pessoas.”

A história dos candangos não terminou quando Brasília foi inaugurada. Muitos permaneceram no Distrito Federal, constituíram suas famílias e participaram da formação das diferentes regiões que hoje compõem a capital. A cidade cresceu para muito além do projeto original. Vieram novas gerações, novos territórios e novas histórias. Brasília deixou de ser apenas a capital planejada para se transformar em uma metrópole.

O candango continua presente

É por isso que o Dia do Candango não precisa ser apenas uma celebração do passado. A data também pode ser uma oportunidade para reconhecer quem continua construindo Brasília todos os dias. A cidade que os candangos ajudaram a erguer depende hoje de milhões de trabalhadores que atuam na saúde, na educação, no transporte, na construção civil, na limpeza, no comércio, nos serviços e em tantas outras atividades. São pessoas que muitas vezes começam o dia antes do sol nascer e atravessam longas distâncias para fazer a cidade funcionar.

“O candango não é uma figura congelada em 1960. Ele está presente na Brasília de hoje. Está no trabalhador que acorda cedo, pega transporte, atravessa a cidade e vai trabalhar para que tudo funcione. Está nas famílias que vieram de outros lugares e fizeram aqui sua vida. Reconhecer os candangos é reconhecer quem constrói Brasília todos os dias”, opina Fátima.

Essa memória também ajuda a pensar sobre a cidade que Brasília se tornou. Se os trabalhadores que vieram de diferentes lugares foram fundamentais para construir a capital, são também essas pessoas – e seus filhos e netos – que hoje vivem seus desafios, ocupam seus territórios e ajudam a definir os caminhos do Distrito Federal.

Uma memória que também é de Fátima

A história do pai de Fátima dá a ela uma relação pessoal com essa memória. Mas é justamente por reconhecer que sua família faz parte de uma história muito maior que ela amplia o olhar. Filha de uma trabalhadora doméstica e de um trabalhador da construção civil, paraibana, Fátima também traz em sua trajetória a marca de uma família que chegou a Brasília pelo trabalho.

“Eu tenho orgulho de saber que meu pai esteve entre os trabalhadores que vieram construir Brasília. Mas a história dele não é só dele. Ela se mistura à história de milhares de famílias que chegaram aqui e ajudaram a transformar um projeto em uma cidade viva. É essa história coletiva que precisa ser lembrada.”

Mais de seis décadas depois da inauguração da capital, Brasília continua sendo construída. Não apenas por novas obras, mas pelas pessoas que vivem, trabalham, estudam, cuidam e criam suas famílias aqui. No Dia do Candango, Fátima defende que olhar para essa história é também reconhecer a cidade que existe hoje.

“Brasília pertence a quem a construiu e a quem continua construindo. A cidade não pode esquecer suas origens. Cada trabalhador que veio para cá trouxe uma parte do Brasil e ajudou a formar a Brasília que conhecemos. Celebrar o candango é celebrar essas pessoas e reconhecer que, sem elas, Brasília simplesmente não existiria”, conclui.