Sem poeira e com água na torneira: Fátima Sousa leva a pauta do clima para o centro do debate

No Distrito Federal, a chegada da seca já não é apenas uma questão de calendário: é quando a poeira invade as casas, o calor se torna sufocante, a fumaça das queimadas cobre o céu e os problemas respiratórios se multiplicam. Em muitas Regiões Administrativas, esses efeitos fazem parte da rotina e revelam uma desigualdade que também passa pelo clima.

Para a professora e sanitarista Fátima Sousa, o enfrentamento à crise do clima precisa ser tratado como prioridade de saúde pública e gestão urbana. A pré-candidata a deputada federal pelo PDT defende que proteger o meio ambiente é, em essência, garantir infraestrutura, prevenção de doenças e qualidade de vida onde as pessoas de fato vivem e trabalham.

Com uma trajetória marcada pela defesa da saúde coletiva – enfermeira, docente da Universidade de Brasília (UnB), ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde, ex-superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB) e pesquisadora -, Fátima conecta sua experiência de gestão à urgência de construir cidades mais humanas e resilientes.

Na avaliação de Fátima Sousa, as ilhas de calor e a escassez de áreas verdes nas cidades do DF não são meros detalhes urbanísticos, mas fatores diretos de adoecimento da população. “A seca sufocante e a falta de árvores têm endereço certo no Distrito Federal. Quando o ar fica irrespirável no segundo semestre, são as emergências de saúde das Regiões Administrativas que recebem o reflexo imediato, principalmente com crianças e idosos. O meio ambiente precisa ser debatido sob a ótica do bem-estar e da dignidade humana”, ressalta.

A resposta para esse desafio passa pelo direcionamento de investimentos públicos para saneamento básico, drenagem urbana sustentável e arborização nas Regiões Administrativas, reduzindo a histórica disparidade de infraestrutura em relação ao Plano Piloto.

A lógica defendida é preventiva e direta: arborizar as cidades significa amenizar as temperaturas extremas; sistemas de drenagem eficientes evitam alagamentos nas chuvas; saneamento universal é a base da saúde primária. “Superar a poeira no período de estiagem e o medo de enchentes na época das chuvas é uma meta de igualdade que o Distrito Federal precisa alcançar”, pontua.

Quadra Residencial do Plano Piloto
Quadra Residencial no Sol Nascente

A preservação dos recursos hídricos ocupa posição central na reflexão de Fátima. Diante da pressão sobre as bacias do Descoberto e de Santa Maria, a professora defende uma atuação ativa e permanente na proteção das nascentes e mananciais que abastecem a capital.

Essa proteção se articula diretamente com o fortalecimento da agricultura familiar e agroecológica no cinturão verde do DF. Apoiar quem produz alimentos de forma sustentável garante a preservação do solo, protege as fontes de água potável e assegura comida saudável sem agrotóxicos para a população.

Em relação ao combate aos incêndios que afetam a qualidade do ar durante a estiagem, Fátima defende o direcionamento de apoio e recursos para equipar brigadas comunitárias de prevenção, além da estruturação de redes de resgate e reabilitação para a fauna silvestre e animais domésticos vitimados pelo fogo.

Para Fátima, programas de plantio de árvores são parte fundamental da promoção da Saúde Coletiva no Século XXI…
…bem como o fortalecimento das cooperativas de reciclagem em todo território nacional.

A tese de Fátima Sousa reforça que a sustentabilidade no Distrito Federal só se consolida se vier acompanhada de inclusão social. Nesse contexto, a pré-candidata destaca o papel estratégico das cooperativas de reciclagem e defende o reconhecimento dos catadores e catadoras como profissionais essenciais da limpeza e da economia circular. A pauta inclui o apoio a incentivos e à justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por esses trabalhadores.

Ao aproximar o debate ambiental da realidade cotidiana do cidadão, Fátima Sousa reitera seu compromisso com uma atuação política pautada na ciência, na saúde e na responsabilidade social. Para ela, cuidar das águas, plantar árvores nas cidades, combater as queimadas e fortalecer a reciclagem são passos fundamentais para construir um Distrito Federal mais justo, saudável e preparado para o futuro.

Texto: Priscila Ferreira
Foto Principal: João Felipe Stangherlin