Defesa do SUS e da ciência marca a trajetória de Fátima Sousa
Sanitarista e professora da UnB relaciona financiamento da saúde e das universidades à capacidade do país de produzir conhecimento, garantir direitos e formar profissionais
A defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), da ciência e da universidade pública atravessa a trajetória da professora e sanitarista Fátima Sousa. Com atuação na Saúde Coletiva, na Universidade de Brasília (UnB), na gestão pública e na formação de profissionais, ela sustenta que decisões sobre orçamento têm efeitos concretos sobre a capacidade do país de cuidar da população, produzir conhecimento e enfrentar seus próprios desafios.
Para a candidata a deputada federal pelo PDT-DF, recursos destinados à saúde, à educação e à ciência não podem ser tratados apenas como despesas. São investimentos na capacidade pública do país e precisam ser avaliados também pelos resultados que produzem.
“Quando uma universidade perde recursos, não estamos falando apenas de uma planilha orçamentária. Estamos falando de pesquisas que deixam de acontecer, de laboratórios que perdem capacidade, de projetos de extensão que deixam de atender a comunidade e de estudantes que podem ter dificuldade para permanecer na universidade. O mesmo raciocínio vale para a saúde: quando falta financiamento, a população sente na ponta”, afirma.
Orçamento define capacidade
A experiência de Fátima na UnB, onde é professora e foi diretora da Faculdade de Ciências da Saúde, se soma à atuação na Atenção Primária, na gestão pública e no Hospital Universitário de Brasília (HUB). Essa trajetória, segundo ela, permite enxergar o orçamento não apenas pelo volume de recursos, mas pelo que ele precisa produzir.
“Recurso público precisa virar capacidade. Na universidade, isso significa pesquisa, formação e permanência estudantil. No SUS, significa equipes, serviços funcionando, equipamentos, medicamentos e cuidado. O orçamento é importante, mas o que importa, no fim, é o resultado que ele produz na vida das pessoas”, afirma.
Essa perspectiva também está relacionada à ciência. Para Fátima, um país que reduz sua capacidade de pesquisa compromete não apenas universidades e pesquisadores, mas sua própria autonomia para desenvolver conhecimento e soluções para problemas nacionais.
“Quando se reduz a capacidade de pesquisa de uma universidade, o impacto não termina naquele laboratório ou naquele projeto. Ele alcança a formação de profissionais, a produção de conhecimento e a capacidade do país de encontrar respostas próprias para problemas que já existem e para aqueles que ainda vão surgir”, afirma.
A pesquisa científica tem impacto direto em áreas como saúde, mudanças climáticas, segurança alimentar e desenvolvimento tecnológico. Universidades públicas também mantêm projetos de extensão que aproximam esse conhecimento das comunidades e dos territórios.

Permanecer também é ter acesso
Para Fátima, a discussão sobre universidade pública inclui uma dimensão que começa depois da aprovação: a permanência dos estudantes. Despesas com alimentação, transporte, moradia e materiais podem se transformar em obstáculos para quem não dispõe de recursos suficientes para concluir a graduação.
“Não basta abrir a porta da universidade se uma parte dos estudantes não consegue atravessá-la até o fim. Permanência também é política educacional. Quando um estudante abandona o curso porque não consegue se manter, o país perde uma formação que já começou a financiar e, principalmente, perde uma oportunidade de transformar aquela trajetória em conhecimento e trabalho qualificado”, afirma.
A mesma preocupação, segundo Fátima, vale para os trabalhadores que sustentam as políticas públicas. Condições de trabalho, remuneração e proteção social fazem parte da capacidade do Estado de manter equipes qualificadas e serviços funcionando.
Saúde, universidade e ciência estão conectadas

A conexão entre essas áreas atravessa a própria experiência de Fátima na Saúde Coletiva. Universidades formam profissionais para o SUS, hospitais universitários articulam assistência, ensino e pesquisa, e a produção científica contribui para aperfeiçoar políticas e serviços.
Por isso, ela defende que as decisões orçamentárias sejam analisadas de forma integrada, considerando não apenas o recurso destinado a cada área, mas os efeitos que sua redução pode produzir em toda a estrutura.
“Saúde, educação e ciência não são ilhas. Uma universidade forma profissionais para o SUS. O SUS produz dados e experiências que alimentam a pesquisa. A pesquisa ajuda a melhorar políticas públicas. Quando uma dessas estruturas perde capacidade, as outras também sentem. É preciso pensar o Estado como uma rede”, afirma.
Para Fátima, defender essas estruturas significa, portanto, discutir as escolhas que determinam o financiamento público e a capacidade de o Estado formar profissionais, produzir conhecimento e garantir direitos.
É uma discussão que começa na universidade e nos serviços de saúde, mas passa também pelo orçamento e pelas decisões nacionais que definem que capacidade o país terá para enfrentar seus desafios.
texto e fotos: Priscila Ferreira
imagem destacada: Radilson Gomes

