Cada real investido no SUS tem nome e rosto: Fátima Sousa leva a saúde dos territórios para o Congresso

Faltam 15 dias para o primeiro turno das Eleições 2026, e Fátima Sousa quer levar para a Câmara dos Deputados uma experiência construída durante décadas dentro da saúde pública. Enfermeira sanitarista, professora titular da Universidade de Brasília (UnB), ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e ex-superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB), ela defende uma atuação federal conectada ao que acontece todos os dias nas regiões do Distrito Federal.

Na prática, isso significa olhar para problemas que têm endereço: a espera por uma consulta ou exame, a dificuldade de acompanhar uma doença, a distância até determinados serviços e a rotina de quem precisa conciliar trabalho e cuidado da família.

Ceilândia, Taguatinga, Samambaia e Recanto das Emas aparecem nesse mapa porque representam diferentes realidades do DF; e porque, para Fátima, política pública começa justamente quando se conhece a vida de quem utiliza o serviço.

“A saúde pública não é um número abstrato na planilha orçamentária. Cada real investido no SUS tem nome e rosto. É a mulher que precisa do seu exame preventivo em dia, a mãe que busca atendimento para o filho e a família de Ceilândia, Taguatinga, Samambaia, Recanto e de todo o DF que merece ser acolhida com dignidade e agilidade”, afirma.

A mulher que precisa caber na própria agenda

Existe uma dimensão desse cotidiano que Fátima quer colocar no centro da discussão: a vida das mulheres. Quem trabalha, cuida dos filhos, acompanha pais idosos e administra a rotina da casa nem sempre consegue transformar uma necessidade de saúde em uma consulta marcada no horário ideal. Quando o atendimento exige deslocamento, várias etapas ou meses de espera, o cuidado com a própria saúde pode acabar ficando para depois.

Para Fátima, essa realidade precisa entrar na conta quando o poder público planeja seus serviços. “Uma mulher que trabalha, cuida dos filhos, acompanha os pais e ainda precisa cuidar da própria saúde não pode encontrar um sistema organizado como se tivesse tempo de sobra. A política pública precisa considerar a vida como ela é”, avalia.

É por isso que a candidata relaciona o fortalecimento das UBS à capacidade de oferecer cuidado mais próximo, com equipes preparadas para acompanhar as pessoas e encaminhá-las quando for necessário acessar outros níveis da rede.

Da ponta para Brasília

A experiência acumulada por Fátima também muda a pergunta sobre o que uma candidata à Câmara pode fazer pela saúde do DF. Deputados federais não administram diretamente hospitais ou UBS. No Congresso, porém, participam da elaboração das leis, da discussão do Orçamento da União e da fiscalização das políticas e dos recursos públicos.

É nesse espaço que Fátima pretende conectar sua experiência na gestão e no SUS às necessidades que identifica no território. “Quando uma decisão é tomada em Brasília, ela precisa fazer sentido para quem está em Ceilândia, em Samambaia, no Recanto, em Taguatinga e em todas as outras regiões. O orçamento federal, as leis e as políticas nacionais não podem ser discutidos como se fossem abstratos. Eles precisam responder a necessidades concretas”, explica.

A defesa da gestão técnica passa, portanto, por acompanhar onde os recursos estão sendo aplicados, identificar as desigualdades entre regiões e cobrar resultados das políticas públicas.

Não é só saúde: é cuidado

A atuação que Fátima apresenta para o Congresso também conecta saúde a outras políticas que interferem diretamente na vida das famílias, como a proteção às mulheres, a ampliação de creches em tempo integral e a valorização das equipes de Saúde da Família e dos agentes comunitários.

A lógica é simples: cuidar da saúde não significa apenas tratar uma doença depois que ela aparece. Significa também criar condições para que uma mãe consiga trabalhar, que uma criança tenha onde ficar, que uma pessoa idosa seja acompanhada e que uma mulher não precise escolher entre cuidar de todo mundo e cuidar de si.

“Minha trajetória na saúde pública me ensinou que nenhuma política funciona isoladamente. Saúde, educação, cuidado, trabalho e proteção social fazem parte da mesma vida. É preciso olhar para essa pessoa inteira quando se decide onde colocar o recurso público”, conclui.

Texto: Priscila Ferreira
Fotos: Radilson Carlos Gomes