Saúde entra no debate do DF; Fátima Sousa está lá há décadas
Entre a urgência da fila e a decisão do orçamento, o Distrito Federal ganha uma candidata que conhece o SUS da comunidade ao topo da gestão
Há momentos em que a política é forçada a encarar a realidade. No Distrito Federal, a saúde pública deixou de ser apenas mais um tópico de campanha e passou a organizar o debate sobre o futuro da cidade. Filas por consultas e exames, gargalos nos hospitais, a urgência da atenção básica e o desafio da saúde mental atravessam o cotidiano da população. Para muitos candidatos, contudo, a saúde é um assunto descoberto em ano eleitoral. Para Fátima Sousa, é a história de uma vida inteira.
Enfermeira sanitarista, professora titular da Universidade de Brasília, ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e ex-superintendente do Hospital Universitário de Brasília, Fátima carrega uma trajetória construída dentro do Sistema Único de Saúde. Sua experiência não vem de discursos, mas da prática na atenção primária, no Ministério da Saúde, na formação de novos profissionais e no comando de uma grande estrutura hospitalar.
A autoridade dessa trajetória começou a se desenhar no período em que o país estruturou as bases do SUS. Entre 1994 e 2002, como gerente nacional do Programa de Agentes Comunitários de Saúde no Ministério da Saúde, Fátima consolidou a premissa de que o cuidado não pode começar na porta do hospital, mas sim no território onde as pessoas vivem. Foi esse mesmo olhar que levou para a UnB, onde formou gerações na área de Saúde Coletiva e orientou pesquisas de impacto nacional, e para a gestão do HUB, onde enfrentou a pressão diária sobre recursos, equipes e serviços de alta complexidade.
“Não se resolve o caos na saúde improvisando soluções no auge da crise. Eu vivi cada etapa da construção do SUS: vi a saúde nascer no chão da comunidade, vivi a formação acadêmica e enfrentei a pressão real da gestão hospitalar. Conheço a engrenagem por dentro e sei exatamente onde o sistema trava e o que precisa ser feito para fazê-lo funcionar”, afirma Fátima.
Diagnóstico do problema: a fila não começa no hospital
Uma das marcas centrais de sua atuação é tratar a fila de espera não como ponto de partida, mas como consequência de um sistema desarticulado. Quando uma pessoa espera meses por um procedimento especializado, o problema revela falhas que aconteceram muito antes: na falta de prevenção, no gargalo da atenção primária ou na ausência de informação integrada pela rede pública.
É com essa visão sistêmica que Fátima formula suas propostas. A lógica é intervir antes que a crise se instale. Para as famílias de crianças neurodivergentes, a resposta vem no programa Crescer Juntos, que busca integrar saúde, escola e assistência social desde a base. Para as mulheres, o Cartão Cuidar de Quem Cuida propõe centralizar o acompanhamento preventivo em todas as fases da vida. Já na saúde mental de crianças e adolescentes, o programa Tá Suave leva a prevenção para dentro das escolas, abordando ansiedade, depressão e apoio emocional. A aproximação de exames da comunidade por meio de laboratórios móveis e a integração digital do SUS completam o conjunto de iniciativas para evitar o colapso das redes de urgência.
“A fila do hospital é o sintoma de um sistema que falhou na prevenção. Quando o cidadão passa meses esperando por um exame, a saúde pública falhou antes. O meu compromisso é inverter essa lógica: fortalecer a atenção primária e a gestão digital para que o atendimento chegue antes da urgência, devolvendo a dignidade ao morador do DF”, destaca a candidata.



Reconhecimento de quem ajudou a construir a saúde no Brasil
A credibilidade dessa candidatura reflete-se nos apoios que reúne, vindos de nomes de peso na gestão pública e na saúde coletiva. O ex-ministro da Saúde Saraiva Felipe traz a perspectiva de quem foi aluno de Fátima no doutorado após comandar a pasta nacional. A também ex-ministra da Saúde e pesquisadora Nísia Trindade reforça o valor de uma trajetória ancorada na ciência e na gestão técnica, enquanto Luiza Erundina soma a chancela de uma vida dedicada à defesa dos direitos sociais.
A relevância do seu nome para a representação política do DF também é destacada por Ana Estela Haddad, ex-secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde. “Tão importante quanto votar para presidente e para governador é escolher quem vai compor o Congresso Nacional. A Professora Fátima Sousa tem coerência, compromisso e defende o SUS. É um ótimo voto”, reforça Ana Estela.
O ponto em comum entre essas declarações não é o momento político, mas a coerência do percurso de Fátima antes da eleição. Não se trata de uma pauta adotada para a disputa, mas da continuidade de um trabalho que atravessa décadas de dedicação à saúde pública.
Da gestão local à decisão federal no Congresso

A candidatura de Fátima Sousa leva o debate do Distrito Federal para uma nova dimensão. Se o cidadão sente o impacto da saúde na UBS ou no hospital local, é na Câmara dos Deputados que se tomam as decisões que definem o financiamento, a legislação nacional, a valorização das carreiras, as políticas digitais e a fiscalização dos recursos do SUS.
Uma deputada federal com o perfil de Fátima não atua na ponta da administração local, mas tem a preparação técnica e a legitimidade política necessárias para disputar o orçamento e aprovar leis que impactam diretamente a qualidade do atendimento no DF. O Distrito Federal encontra em Fátima Sousa a oportunidade de enviar ao Congresso alguém que conhece a saúde por dentro, dos territórios ao topo da gestão, e que coloca a defesa do cidadão como ponto de partida.
“Ir para a Câmara dos Deputados não é uma mudança de rumo na minha vida, é a continuidade da minha luta. O DF não precisa de mais um voto genérico no Congresso; precisa de quem saiba brigar pelo orçamento da saúde, fiscalizar a aplicação das verbas e construir leis que protejam o SUS e valorizem os nossos profissionais”, conclui Fátima.
Texto: Priscila Ferreira
Fotos: Radilson Carlos Gomes

