No Itapoã, Fátima Sousa conversa com diaristas sobre trabalho, cidadania e o direito a uma vida digna

Antes de falar sobre política, Fátima Sousa quis ouvir. Neste domingo (6), no Itapoã, a candidata a deputada federal pelo PDT-DF participou de uma roda de conversa com diaristas e encontrou, nas histórias daquelas trabalhadoras, questões que conhece também pela própria trajetória: o valor do trabalho, a luta por oportunidades, a importância da educação e o direito de cada pessoa construir uma vida com dignidade.

A conversa passou por temas que muitas vezes ficam distantes dos discursos políticos, mas que estão no centro da vida de quem trabalha todos os dias: ser reconhecida, ter direitos, participar das decisões que afetam a comunidade e saber que a própria voz tem lugar nos processos democráticos.

Fátima falou sobre a importância de não olhar para as pessoas apenas como destinatárias das políticas públicas. Quem vive os problemas também precisa participar das decisões sobre como enfrentá-los.

“Democracia não pode ser uma coisa que acontece longe das pessoas. Ela precisa estar na vida cotidiana, na comunidade, no trabalho, na possibilidade de cada pessoa ser ouvida e participar das decisões que dizem respeito à sua própria vida”, afirmou.

Foi nesse ponto que a conversa encontrou a história pessoal de Fátima. Filha de uma trabalhadora doméstica e de um trabalhador da construção civil, paraibana, ela aprendeu a ler aos 12 anos. A própria trajetória se tornou, ao longo dos anos, uma defesa concreta da educação como caminho para ampliar oportunidades e transformar vidas. Na Universidade de Brasília, Fátima construiu sua carreira como professora e pesquisadora e dedicou sua atuação à formação de profissionais e à saúde pública.

Ao relembrar esse caminho diante das diaristas, Fátima não falou apenas de uma conquista individual. Falou sobre o que pode acontecer quando uma oportunidade chega a quem historicamente teve poucas portas abertas.

“Eu venho de uma família de trabalhadores. Minha mãe era trabalhadora doméstica, meu pai trabalhava na construção civil. Eu aprendi a ler aos 12 anos. Por isso, eu sei o tamanho que tem uma oportunidade na vida de uma pessoa. E sei também que ninguém deveria precisar contar com a sorte para ter direito a uma vida digna”, afirmou.

A lembrança da própria infância ajudou a dar outro sentido à discussão sobre participação social. Para Fátima, cidadania não é apenas conhecer direitos, mas ter condições reais para exercê-los. Isso envolve educação, trabalho, saúde, acesso a serviços públicos e a possibilidade de participar das decisões que definem o futuro das comunidades.

A política que começa no território

A roda de conversa no Itapoã integrou uma agenda que levou Fátima, ao longo deste domingo, também a Arapoanga e Ceilândia. Em diferentes territórios, a candidata conversou com moradores e trabalhadores e destacou a importância de conhecer de perto as realidades do Distrito Federal para compreender suas questões e construir respostas a partir delas.

Para ela, a distância entre quem toma decisões e quem enfrenta os problemas no cotidiano pode produzir políticas que não respondem às necessidades reais da população. Conhecer uma região, conversar com seus moradores e compreender sua dinâmica são, portanto, condições para uma representação política mais conectada com a vida das pessoas.

A discussão apareceu também quando Fátima falou sobre a Câmara Legislativa do Distrito Federal. Na avaliação da candidata, a representação política precisa estar ligada ao conhecimento concreto das regiões administrativas e das diferentes realidades que formam o DF.

“Não existe uma Brasília única. Existem territórios, histórias e necessidades diferentes. Quem ocupa um espaço de representação precisa conhecer essa realidade, ouvir as pessoas e compreender o que acontece para além dos gabinetes”, afirmou.

A passagem por Itapoã, Arapoanga e Ceilândia deu à agenda um fio condutor: a política vista a partir de quem vive a cidade.

Texto e fotos: Priscila Ferreira