Ideb 2025 acende alerta na educação do DF e exige enfrentamento das causas estruturais

Os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2025 revelam um cenário desafiador para a rede pública do Distrito Federal. Divulgados pelo Ministério da Educação, os dados mostram que o DF ficou abaixo da média nacional em todas as etapas de ensino e distante das metas locais estipuladas para a rede. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o DF alcançou 6,0 pontos (frente à média nacional de 6,1 e meta de 6,5). Nos anos finais, registrou 4,7 pontos (diante de 5,0 no país e meta de 5,3). O gargalo mais crítico está no ensino médio, onde o índice caiu de 4,2 para 4,1 pontos, enquanto a média nacional atingiu 4,5 e a meta local era de 5,4.

Para a professora da Universidade de Brasília (UnB) e candidata a deputada federal pelo PDT (DF), Fátima Sousa, os dados estatísticos precisam ser encarados como uma ferramenta de orientação de políticas públicas, e não como instrumento de penalização da comunidade escolar.

“Um indicador como o Ideb precisa nos ajudar a fazer as perguntas certas e funcionar como diagnóstico, não como uma sentença punitiva sobre alunos e professores”, afirma Fátima Sousa.

O gargalo do ensino médio e a permanência escolar

A queda registrada no ensino médio reflete a complexidade de uma etapa na qual a vida escolar se cruza com a necessidade de inserção no mercado de trabalho, vulnerabilidades socioeconômicas e desafios de saúde mental.

Na avaliação de Fátima, combater a evasão escolar exige compreender os fatores sociais que afastam os jovens das salas de aula, conectando a educação a uma rede mais ampla de proteção social, emprego e cultura.

Valorização docente e estabilidade na rede

Outro ponto crucial destacado no diagnóstico é a necessidade de fortalecimento e estabilização das equipes pedagógicas nas escolas públicas. Levantamentos da categoria indicam que cerca de dois terços dos professores em sala de aula no DF possuem contratos temporários, o que gera uma alta rotatividade de profissionais e dificulta a continuidade das diretrizes pedagógicas.

Não podemos cobrar resultados consistentes de uma escola sem oferecer estabilidade e condições dignas de trabalho. Não se constrói um projeto pedagógico de longo prazo com dois terços da rede submetidos a vínculos temporários”, destaca a professora.

Financiamento direto e visão integrada do estudante

A sustentabilidade das ações pedagógicas e a garantia de inclusão para estudantes com necessidades específicas dependem diretamente de financiamento adequado e da autonomia financeira das unidades escolares, viabilizada por instrumentos como o Programa de Descentralização Administrativa e Financeira (PDAF).

Sua trajetória na área de Saúde Coletiva na UnB reforça a defesa de uma abordagem sistêmica para a educação pública no Distrito Federal, integrando a sala de aula com ações de saúde, assistência social e esporte para garantir a permanência e o aprendizado pleno do estudante.

“Melhorar a nota no Ideb é um passo importante, mas o nosso verdadeiro compromisso precisa ser garantir que cada criança e jovem do DF tenha o direito de aprender, permanecer na escola e construir o seu próprio futuro”, conclui Fátima.