Catadoras e catadores da Estrutural discutem trabalho, renda e saúde com candidatos do PDT-DF
Fátima Sousa, candidata a deputada federal, Leila Barros, candidata à reeleição ao Senado, e Joe Valle, candidato a deputado distrital, ouviram trabalhadores da reciclagem sobre os desafios da categoria
Na manhã desta sexta-feira (21), catadoras e catadores de materiais recicláveis da cidade Estrutural receberam candidatos do PDT-DF para uma conversa sobre trabalho, renda, direitos e as condições enfrentadas diariamente pela categoria.
Participaram do encontro Fátima Sousa, candidata a deputada federal, Leila Barros, candidata à reeleição ao Senado Federal, e Joe Valle, candidato a deputado distrital, todos pelo PDT-DF.
A atividade foi marcada pela escuta dos trabalhadores, que apresentaram suas experiências e demandas. Entre os temas discutidos esteve a saúde de quem trabalha diariamente com a coleta e a separação de resíduos, uma questão que, para Fátima, precisa ser tratada como parte das políticas públicas de saúde e de proteção ao trabalhador.


Responsáveis por uma etapa essencial da reciclagem, catadoras e catadores contribuem para a limpeza da cidade, a redução de resíduos e a sustentabilidade. O trabalho, porém, também é realizado em condições que podem trazer impactos para a saúde e exige políticas de prevenção e proteção.
Para Fátima, enfermeira sanitarista, professora da Universidade de Brasília (UnB), ex-diretora da Faculdade de Ciências da Saúde e ex-superintendente do Hospital Universitário de Brasília (HUB), olhar para essa realidade é reconhecer que saúde não começa no consultório ou no hospital.
“Quando falamos de saúde, precisamos olhar também para as condições em que as pessoas vivem e trabalham. Essas mulheres e esses homens ajudam a cuidar da cidade todos os dias. O poder público também precisa cuidar deles, garantindo prevenção, proteção e acesso à saúde.”

Um trabalho que sustenta famílias
A conversa também trouxe uma dimensão que muitas vezes fica escondida quando se fala em reciclagem: a renda.
Para muitas mulheres, a atividade é o meio encontrado para sustentar os filhos e garantir a sobrevivência da família. São trabalhadoras que, além de enfrentar as exigências da coleta e da triagem, muitas vezes carregam também a responsabilidade pelo cuidado da casa e dos filhos.
Essa realidade encontra um paralelo na trajetória de Carolina Maria de Jesus, que recolhia materiais recicláveis para sustentar a família antes de se tornar reconhecida como escritora. Em seus diários, Carolina registrou a fome, a pobreza, o trabalho e a luta cotidiana pela dignidade.
A história ajuda a compreender que a coleta de materiais não pode ser vista como uma atividade associada à vulnerabilidade. É trabalho, renda e uma forma de sobrevivência construída por milhares de famílias.
Para Fátima, reconhecer essa dimensão é fundamental para pensar políticas públicas capazes de proteger e ampliar direitos. “Não podemos olhar para essas trabalhadoras apenas pelo que falta. Precisamos enxergar o trabalho que realizam, a renda que produzem e a contribuição que dão para toda a sociedade. Muitas mulheres sustentam suas famílias por meio dessa atividade. Isso precisa ser reconhecido quando pensamos em políticas de trabalho, renda e saúde.”


Quem cuida da cidade também precisa ser cuidado
A reciclagem tem impacto direto na sustentabilidade urbana. Ao recolher, separar e encaminhar materiais para reaproveitamento, catadoras e catadores ajudam a reduzir a quantidade de resíduos descartados e mantêm em funcionamento uma parte importante da cadeia da reciclagem.
Para Fátima, essa contribuição precisa estar acompanhada de condições dignas para quem realiza o trabalho. “Não existe uma cidade verdadeiramente sustentável quando as pessoas que ajudam a construir essa sustentabilidade não têm sua saúde e seu trabalho protegidos. Precisamos juntar essas agendas: meio ambiente, trabalho, renda e saúde.”
A candidata defende que a saúde dos trabalhadores seja pensada de forma preventiva, considerando as condições concretas de cada atividade e garantindo que o SUS esteja preparado para atender também essas necessidades.
Mais do que apresentar respostas prontas, o encontro teve como um de seus objetivos ouvir quem vive essa realidade. Para Fátima, esse diálogo é indispensável para construir políticas públicas que façam sentido para os territórios.
“Quem vive o problema todos os dias também conhece caminhos para enfrentá-lo. Escutar essas pessoas é parte da construção de uma política pública que realmente funcione.”
A conversa na Estrutural colocou em evidência uma atividade que muitas vezes passa despercebida, embora esteja presente todos os dias na vida da cidade. O trabalho das catadoras e dos catadores contribui para manter o Distrito Federal mais limpo e sustentável. Para Fátima, reconhecer essa contribuição significa também garantir que quem cuida da cidade tenha direito a trabalho digno, renda e saúde.
Reportagem e fotografia: Priscila Ferreira

Joe Valle, Leila Barros e Fátima Sousa

