­Carta Manifesto às Candidatas e Candidatos do PDT

Há momentos na história em que uma candidatura deixa de ser apenas uma disputa eleitoral e passa a ser um compromisso de vida.Vivemos um desses momentos.

Nossa convenção não homologou apenas nomes. Ela fez nascer uma corrente de mulheres e homens que decidiram oferecer sua história ao povo do Distrito Federal e do Brasil. Cada candidatura ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e à Câmara Legislativa do Distrito Federal representa um gesto de coragem de quem escolheu não assistir à história da janela, mas caminhar para dentro dela.

Apesar de recém ingressa no PDT, já vi os presentes que venho recebendo, entre eles a profunda admiração por cada uma e cada um de vocês. Conheço o peso das renúncias que esta decisão exige. Sei das noites mal dormidas, das incertezas, das dificuldades financeiras, das ausências familiares e das muitas vezes em que precisaremos explicar por que continuamos acreditando na política. E continuamos porque acreditamos nas pessoas.

A política só faz sentido quando nasce de uma ideologia construída em base popular. É por isso que desejo que nossa caminhada seja conduzida pela empatia, afeto e acolhimento. Que nossas palavras nunca sejam maiores que nossa capacidade de ouvir, que nossas convicções jamais nos impeçam de estender a mão e que nossa firmeza caminhe ao lado da delicadeza.

Fomos chamadas/os para semear esperança e não para alimentar disputas desmedidas, nem para reproduzir correntes de intrigas, ressentimentos ou desinformação.Que sejamos, portanto, reconhecidas/os pela serenidade em tempos de ódio, pela escuta em tempos de gritos, pela verdade em tempos de mentira e pela solidariedade em tempos de indiferença.

Quando caminharmos pelas ruas de Brasília, das cidades, bairros, feiras, escolas, universidades, igrejas, sindicatos e comunidades, lembremo-nos de que não estamos apenas pedindo votos. Estamos oferecendo esperança para quem espera meses por uma consulta, para quem acredita na escola pública, para quem luta por moradia, transporte, cultura, esporte, ciência, trabalho, direitos humanos e dignidade.

Que ninguém assalte nossa alegria, roube nossa fé, enfraqueça nossa ternura ou tente nos convencer de que vale tudo para vencer uma eleição, porque não vale. A política é grande demais para caber no ódio. Ela é, antes de tudo, um exercício permanente de cuidado com as pessoas e suas vidas.

Nunca esqueçamos que a política não é uma ciência matemática, pois não cabe em planilhas, pesquisas ou cálculos frios. Ela é feita de encontros inesperados, abraços sinceros, confiança construída, palavras que confortam, mãos que acolhem e sonhos compartilhados. Por isso, não permitamos que roubem nossos sonhos, tão pouco que digam que não podemos, nem que o medo ocupe o lugar da esperança.

Não permitamos que a velha política nos faça esquecer o porquê de termos chegado até aqui, pois quem sabe de onde veio e onde deseja chegar, jamais pegará atalhos, ou se distrair com ruídos de qualquer natureza. Se o povo nos confiar a honra de representá-lo, que nossos mandatos sejam construídos ao lado das pessoas, nos territórios onde a vida acontece, com portas abertas, ouvidos atentos e coração comprometido.

Somos herdeiras/os de uma história que sempre acreditou na educação libertadora, no trabalho digno, na democracia, na justiça social e na soberania nacional. Agora é a nossa vez de honrar esse legado. Sigamos juntas/os, com coragem para enfrentar os desafios. Com humildade para aprender, ética para decidir, esperança para inspirar e com a certeza de que a boa política continua sendo uma das mais bonitas formas de amar o povo.

Que a “Onda da Esperança” que começa a percorrer o Distrito Federal, seja mais forte do que o medo, maior do que o ódio e mais duradoura do que qualquer eleição. Ela será feita de gente, abraços e muito trabalho.

Com esperança, sempre!